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No ano em que a Ordem dos Advogados Portugueses celebra o seu centenário, surge da pena de um advogado — Duarte de Lima Mayer — um romance que se interroga sobre a ontologia do ser advogado. Fazendo pleno uso da imaginação para ensaiar uma vida, um contexto e uma trama que facilmente remeterão os profissionais para o seu quotidiano, a obra propõe um conjunto de imagens cuja força simbólica transcende largamente a sua função imediata.

 

Entre essas imagens avultam os chapéus que acompanham a personagem nas diferentes etapas da sua vida, cada um associado a figuras tutelares, da ficção ou da História, como Tom Sawyer e Abraham Lincoln, dois dos grandes eixos estruturantes do livro. Cruzamse ainda os mitos colectivos portugueses ligados ao mar, à aventura, ao encontro — e desencontro — com o outro, à coragem de desbravar caminhos e navegar águas desconhecidas. Num registo bem-humorado e acessível, a narrativa procura ensaiar um sentido ético para a profissão, convocando questões fundamentais: como viver hoje a advocacia? Que cultura deve ser promovida para garantir o bem-estar de quem exerce esta profissão tão importante quanto exigente?

 

É Frederico Pery quem nos conduz pela mão, através de capítulos curtos e depurados. Advogado na Torlager, uma pequena sociedade dedicada ao Direito Marítimo, com escritório na Rua das Flores, no Chiado, escreve na primeira pessoa. A narrativa abre em Londres, durante uma visita à National Gallery, onde, diante de um quadro de Hans Holbein, mantém com o pai uma conversa que desencadeia toda a evocação autobiográfica.

 

Ao contar a sua história, Frederico transporta-nos entre a Arrábida — num planalto sobranceiro ao mar — e o Campo Grande, para a casa da Rua Afonso Lopes Vieira, uma rua povoada de pereiras, onde um pássaro leve e alegre pousava ocasionalmente enquanto ele desbravava calhamaços de Direito. O pai era professor da Faculdade de Letras, um humanista de espírito aberto, especialista em Damião de Góis.

 

Dos Peddy Papers organizados pelo pai, nos quais um grupo de crianças corria entusiasmado atrás de pistas, aos inevitáveis Pery Papers — a papelada acumulada sobre a secretária de qualquer advogado —, Frederico conta-nos como aprendeu a ser meticuloso. Deve essa aprendizagem ao "trabalho invisível" exigido por um treinador de ténis que recusava atletas displicentes. Mas é a avó quem lhe transmite a lição mais duradoura. Depois de o acolher debaixo do seu chapéu-de-chuva, ensina-lhe que todos os objectos possuem uma função que ultrapassa a sua utilidade imediata: uma raqueta de ténis pode produzir belas melodias, como uma guitarra, em vez de ser atirada ao chão, vencida pela frustração de um jogo que corria mal numa tarde chuvosa de Inverno.

 

Competente e profundamente apaixonado pela advocacia — não advogado de barra, mas advogado da barra, da barra do Tejo —, Frederico apercebe-se, contudo, de que a cultura instalada, desde os bancos da faculdade, parece cultivar uma gravidade quase insustentável. Percebe também que muitos advogados vivem situações difíceis, mais próximas dos universos sombrios de Hieronymus Bosch, como aqueles que contempla no Museu Nacional de Arte Antiga.

 

É então que se inicia a verdadeira busca do protagonista: procurar as fadas escondidas entre os fados e os fardos. A Lisboa antiga — o eléctrico 28, a Confeitaria Nacional e tantos outros lugares da cidade — torna-se palco das conversas com a sua coach, Beatriz, cujo nome evoca deliberadamente a guia de Dante na Divina Comédia. Com ela procura sentido, revisita o passado, reconcilia-se com as suas melhores e piores experiências e projecta o futuro.

 

Ao seu lado está sempre Francisco Pery, o primo conhecido por "Perigord", companheiro de inúmeros jantares, confidente e destinatário privilegiado do manuscrito. É também Francisco quem assina o epílogo. Todos os anos escolhe dois jovens advogados para acompanhar em mentoria, oferecendo-lhes a leitura da obra que Frederico lhe pede expressamente para nunca publicar.

 

Em anexo ao romance surgem ainda as Cartas a um Jovem Advogado, um exercício literário de correspondência imaginária entre Thomas Sawyer e Abraham Lincoln, igualmente da autoria de Frederico Pery, que prolonga, noutra forma narrativa, a reflexão sobre a identidade, a vocação e o sentido da advocacia. 

O Livro de Frederico Pery

€ 25,00Preço
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  • Título: O Livro de Frederico Pery, seguido de Cartas a um Jovem Advogado, Correspondência entre Thomas Sawyer e Abraham Lincoln

     

    Autor: Duarte de Lima Mayer

     

    Editor: Building Ideas – places of belonging

     

    ISBN: 978-989-99743-7-1

     

    Tipo de produto: Livro

     

    Encadernação: Capa mole

     

    Páginas: 300

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